07/01/2026

Doenças neurológicas: conheça as principais causas e entenda por que o diagnóstico correto depende da origem do problema.

Por Dr Emerson Milhorin

As doenças neurológicas formam um grupo amplo de condições que afetam o cérebro, a medula espinhal e os nervos periféricos. Elas podem se manifestar de diferentes formas, desde alterações motoras e cognitivas até crises epilépticas, perda de memória ou sintomas sensoriais. Para um diagnóstico preciso e um tratamento eficaz, é fundamental entender a causa por trás do quadro neurológico.

Nem todas as doenças do sistema nervoso têm a mesma origem. Muitas vezes, sintomas semelhantes podem ter mecanismos completamente diferentes. Por isso, investigar a causa raiz da alteração neurológica é o primeiro passo para definir o caminho terapêutico adequado.

A seguir, veja as principais categorias de causas de doenças neurológicas.

Causas genéticas

São condições causadas por alterações nos genes, que podem ser hereditárias (transmitidas pelos pais) ou resultantes de mutações espontâneas. Algumas doenças genéticas se manifestam na infância, enquanto outras aparecem mais tardiamente.

Exemplos comuns:
• Algumas formas de autismo
• Doenças neuromusculares hereditárias (como a distrofia muscular)
• Epilepsias genéticas

A identificação precoce de uma causa genética pode orientar o tipo de tratamento, o acompanhamento familiar e o aconselhamento genético.

Causas degenerativas

Doenças degenerativas são caracterizadas pela perda progressiva e irreversível de neurônios. Com o tempo, o cérebro ou a medula vão perdendo funções específicas, comprometendo o desempenho motor, cognitivo ou comportamental.

Exemplos:
• Doença de Alzheimer
• Doença de Parkinson
• Esclerose lateral amiotrófica (ELA)

Essas condições exigem diagnóstico precoce e acompanhamento contínuo, com foco na qualidade de vida e no controle dos sintomas.

Causas vasculares

Envolvem alterações na circulação sanguínea cerebral. A interrupção do fluxo de sangue pode causar morte de neurônios ou lesões que comprometem o funcionamento do cérebro.

Exemplos:
• Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico ou hemorrágico
• Demência vascular
• Isquemias cerebrais transitórias (AITs)

Doenças vasculares podem ter início súbito e demandam atendimento médico emergencial. A prevenção é possível por meio do controle de fatores como hipertensão, diabetes e colesterol.

Causas autoimunes

O sistema imunológico, que deveria proteger o corpo, passa a atacar estruturas do próprio sistema nervoso. Isso gera inflamações, danos à bainha de mielina (revestimento dos neurônios) e outros efeitos potencialmente graves.

Exemplos:
• Esclerose múltipla
• Neuromielite óptica
• Encefalites autoimunes

Essas doenças muitas vezes surgem de forma intermitente, com surtos e remissões. O diagnóstico precoce permite o início do tratamento imunomodulador, reduzindo a progressão.

Causas infecciosas

Vírus, bactérias, fungos e outros agentes podem atingir o sistema nervoso central e causar infecções agudas, com risco elevado de sequelas. É essencial reconhecer os sintomas rapidamente e iniciar o tratamento adequado.

Exemplos:
• Meningite (bacteriana ou viral)
• Encefalite
• Neuroinfecções por vírus como HIV, zika ou herpes

Algumas dessas condições são preveníveis com vacinação e cuidados com a imunidade.

Causas traumáticas

Lesões físicas diretas no cérebro ou na medula podem desencadear quadros neurológicos imediatos ou tardios. Acidentes de trânsito, quedas, esportes de impacto e violência urbana estão entre os principais causadores.

Exemplos:
• Concussões cerebrais
• Traumatismos cranioencefálicos (TCE)
• Lesões medulares com perda de movimento e sensibilidade

O acompanhamento neurológico após traumas é essencial, mesmo quando os sintomas iniciais parecem leves.

Por que é tão importante identificar a causa neurológica

Um mesmo sintoma, como perda de memória, fraqueza muscular ou alterações na fala, pode ter origens completamente diferentes: genética, vascular, autoimune, traumática ou infecciosa. Por isso, um diagnóstico eficaz não se limita a descrever os sintomas, mas sim a investigar profundamente o que está causando o problema.

O neurologista é o profissional capacitado para conduzir essa avaliação com exames clínicos, de imagem e laboratoriais. A partir do diagnóstico de causa, é possível:

• Iniciar o tratamento mais adequado e personalizado
• Prevenir agravamentos
• Estimar o prognóstico
• Planejar o acompanhamento de longo prazo

As doenças neurológicas têm múltiplas origens, e cada uma exige um olhar específico. Conhecer as causas é o primeiro passo para entender o quadro, buscar ajuda especializada e preservar o máximo possível de autonomia e qualidade de vida.

Se você ou alguém próximo apresenta sintomas neurológicos, não adie a avaliação com um neurologista. O diagnóstico precoce faz toda a diferença no caminho do cuidado.