21/01/2026

Enxaqueca em crianças: sintomas, sinais de alerta e quando buscar ajuda?

Por Dr Emerson Milhorin

A enxaqueca é frequentemente associada à vida adulta, mas também pode afetar crianças e adolescentes. Estima-se que cerca de 10% das crianças em idade escolar possam apresentar crises de enxaqueca em algum momento, embora o diagnóstico nem sempre seja imediato.

Ao contrário dos adultos, as crianças nem sempre conseguem identificar ou descrever com clareza a dor de cabeça. Por isso, muitos quadros passam despercebidos ou são interpretados apenas como cansaço, irritação ou desconforto emocional.

Como a enxaqueca se manifesta na infância

A enxaqueca em crianças pode se apresentar de forma diferente da observada em adultos. Em muitos casos, a dor de cabeça não é o sintoma mais evidente. Outros sinais, de natureza física ou comportamental, podem aparecer com maior destaque.

Entre os sintomas mais comuns estão:

• Náuseas e vômitos
• Sensibilidade à luz ou ao som
• Palidez súbita
• Tontura ou sensação de desequilíbrio
• Irritabilidade sem causa clara
• Sonolência excessiva ou necessidade de se isolar
• Recusa para brincar, estudar ou participar de atividades habituais
• Mudanças abruptas de humor ou comportamento

Muitas vezes, a criança não consegue verbalizar a dor. Em vez disso, evita luz, som ou movimentação, procura um ambiente escuro ou silencioso ou se queixa de mal-estar de forma vaga. Em crianças menores, episódios de choro, afastamento ou recusa alimentar podem ser os primeiros indícios.

Quando suspeitar de enxaqueca infantil

É importante observar se esses episódios são recorrentes e se apresentam padrões semelhantes, se acontecem sempre no mesmo período do dia, em situações de estresse, após jejum prolongado ou exposição intensa a estímulos sensoriais.

A enxaqueca pode interferir diretamente no desempenho escolar, no sono, nas interações sociais e na qualidade de vida da criança e de toda a família. Quando não diagnosticada e tratada adequadamente, o quadro tende a se repetir com mais frequência, afetando a rotina e o bem-estar.

Diagnóstico e diferenciação com outras causas

Nem toda dor de cabeça ou mal-estar é enxaqueca. Por isso, a avaliação neurológica é fundamental. O especialista irá considerar fatores como a idade da criança, o histórico familiar, a frequência e o padrão dos sintomas, além de sinais associados que podem indicar outras causas, como distúrbios visuais, problemas metabólicos, alterações hormonais ou mesmo causas neurológicas mais complexas.

O diagnóstico precoce permite iniciar o tratamento adequado, que pode incluir mudanças de hábitos, ajustes na rotina, orientações alimentares, além de, em alguns casos, medicação preventiva.

Atenção aos sinais e acompanhamento profissional

Se a criança apresenta episódios repetidos de mal-estar, sensibilidade à luz, náuseas ou recusa para atividades do dia a dia, especialmente quando associados a dor de cabeça, é importante procurar um neurologista.

Identificar o padrão correto é o primeiro passo para aliviar o sofrimento da criança, evitar ausências escolares, melhorar o convívio familiar e reduzir impactos emocionais a longo prazo.

A enxaqueca infantil é real, tratável e merece atenção.